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Overdenture superior x inferior: implantes e diferenças

Publicado em: 29/09/2026

Resposta rápida: a overdenture inferior (mandíbula) é considerada tratamento de primeira escolha para quem não tem dentes embaixo e costuma funcionar bem com 2 implantes, conforme os consensos de McGill (2002) e York (2009). A superior (maxila) tem osso menos denso e reabsorve de forma diferente, por isso a literatura recomenda em geral 4 implantes. Com 4 ou mais implantes bem distribuídos, muitas vezes é possível remover a cobertura do palato. Na prática, a prótese de baixo é a que mais incomoda, e é por ela que a maioria dos tratamentos começa.

Duas arcadas, dois problemas diferentes

Quem usa dentadura completa em cima e embaixo geralmente descreve a mesma coisa: a de cima "fica", a de baixo "não para". Isso não é impressão. A dentadura superior cobre o palato inteiro e cria um vedamento com a saliva, parecido com uma ventosa. A inferior tem formato de ferradura, divide espaço com a língua e se apoia num rebordo que costuma ser estreito. Não há como fazer ventosa ali.

Essa diferença explica por que o tratamento com implantes é planejado de forma distinta em cada arcada. O objetivo é o mesmo, dar estabilidade à prótese, mas o ponto de partida muda bastante. Se você ainda não conhece o conceito, vale começar pelo guia de como funciona a overdenture.

Por que a overdenture inferior com 2 implantes virou padrão

Em 2002, um grupo de pesquisadores reunidos na Universidade McGill, no Canadá, publicou uma declaração que mudou a prótese total: para adultos sem dentes na mandíbula, a overdenture retida por dois implantes deveria ser o padrão mínimo de tratamento, e não mais a dentadura convencional. Em 2009, o Consenso de York, no Reino Unido, reforçou a mesma conclusão.

A base dessa recomendação são estudos que compararam satisfação, capacidade de mastigar e qualidade de vida entre usuários de dentadura e de overdenture inferior. A diferença a favor da overdenture foi consistente. Os implantes costumam ser colocados na região anterior da mandíbula, entre os forames mentuais, onde o osso tende a ser mais denso e há menos estruturas delicadas no caminho.

Dois implantes não são regra rígida. Três ou quatro podem ser indicados quando o osso é muito fino, quando o paciente tem força de mordida alta ou quando se quer mais estabilidade. Mas dois é o número que a evidência sustenta como ponto de partida, e é o que torna a overdenture inferior acessível para muita gente.

O osso da maxila é outro

A maxila tem um osso mais esponjoso e menos denso, principalmente na região de trás. Na classificação de Lekholm e Zarb, muito usada no planejamento de implantes, a maxila posterior aparece com frequência nos tipos III e IV, os de menor densidade. Implantes em osso menos denso têm, em média, um pouco menos de estabilidade inicial.

A forma como o osso encolhe também é diferente. Sem dentes, a maxila reabsorve "para dentro e para cima", ficando mais estreita. A mandíbula reabsorve "para baixo e para fora". Com o tempo, a arcada de cima fica menor que a de baixo, o que complica a posição dos dentes artificiais e o espaço disponível para implantes.

Há ainda o seio maxilar, uma cavidade de ar logo acima dos dentes posteriores de cima. Em quem perdeu os dentes há muitos anos, ele tende a se expandir e sobra pouca altura de osso. Nesses casos, pode ser preciso um enxerto (levantamento de seio) ou planejar os implantes só na parte da frente. A tomografia é o que define isso, como explicamos no guia de planejamento cirúrgico e osseointegração.

Quantos implantes na overdenture superior

Revisões sistemáticas que compararam overdentures superiores com diferentes números de implantes chegaram a uma recomendação prática: quatro implantes é o número mais seguro para a maxila, enquanto dois costumam bastar na mandíbula (Raghoebar et al., 2014). Com menos de quatro implantes na maxila, as taxas de perda de implante relatadas foram maiores.

A forma de unir esses implantes à prótese também entra na decisão. Na maxila, as barras que ligam os implantes entre si eram tradicionalmente preferidas, porque distribuem a força. Hoje, encaixes individuais do tipo Locator também são usados com bons resultados quando os implantes estão bem posicionados e paralelos. Os prós e contras de cada sistema estão no guia de sistemas de encaixe.

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Dá para tirar o "céu da boca" da prótese?

Essa é uma das perguntas mais comuns de quem usa dentadura superior. A cobertura do palato atrapalha o paladar, a sensação de temperatura dos alimentos e, em algumas pessoas, provoca ânsia de vômito.

Com quatro ou mais implantes bem distribuídos, a overdenture superior pode ser feita em formato de ferradura, sem cobrir o palato, porque a retenção passa a vir dos implantes e não mais do vedamento. Com dois implantes na maxila, a prótese geralmente continua precisando do palato para ter estabilidade.

Vale saber: tirar o palato reduz a área de apoio da prótese, e parte da força da mastigação passa para os implantes. Por isso essa decisão depende da qualidade do osso, do número de implantes e do tipo de encaixe. Não é um detalhe estético que se escolhe no final.

Comparativo: superior x inferior

CritérioOverdenture inferiorOverdenture superior
Número de implantes mais citado2 (padrão pelos consensos de McGill e York)4 (recomendação de revisões sistemáticas)
Qualidade óssea típicaMais densa na região anteriorMenos densa, sobretudo na região posterior
Necessidade de enxertoMenos frequenteMais frequente (seio maxilar, rebordo fino)
Cobertura do palatoNão se aplicaPode ser removida com 4 ou mais implantes
Ganho percebido pelo pacienteMuito alto: a dentadura inferior é a que mais soltaVariável: muita gente já se adapta bem à dentadura superior

Qual arcada tratar primeiro

Para a maioria dos pacientes sem dentes nas duas arcadas, a combinação mais comum é dentadura convencional em cima e overdenture embaixo. A dentadura superior, quando bem feita, tende a ter retenção aceitável. A inferior é a que causa as queixas, e dois implantes resolvem grande parte do problema.

A overdenture superior entra em cena quando a dentadura de cima também não para: rebordo muito reabsorvido, palato raso, ânsia de vômito que impede o uso, ou quando o paciente quer remover o palato. Também é considerada quando a pessoa tem condições de fazer as duas arcadas e quer o máximo de estabilidade.

Há um cuidado que o dentista costuma avaliar nessa combinação. Quando a região da frente de baixo fica muito firme, por implantes ou dentes naturais, e a de cima é uma dentadura comum, a força da mordida pode se concentrar na frente da maxila e acelerar a reabsorção ali. Esse quadro foi descrito por Kelly em 1972 e ainda é discutido na literatura. Consultas de controle e reembasamentos quando necessários ajudam a evitar esse desgaste.

Para comparar a overdenture com as outras opções, veja overdenture x protocolo x dentadura.

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CD

Equipe Editorial — Overdenture.com.br

Conteúdo estruturado com base em evidências científicas — incluindo os Consensos de McGill (2002) e York (2009), estudos do International Journal of Prosthodontics e protocolos do Conselho Federal de Odontologia (CFO). Revisado por cirurgiões-dentistas parceiros antes da publicação.

Revisor responsável: Dr. Fabio Zalli — CRO-SP 98712

Última atualização: 29/09/2026
Aviso importante: As informações deste portal são exclusivamente educativas e não substituem a avaliação clínica de um cirurgião-dentista. Cada paciente possui condições clínicas específicas que determinam o tratamento mais adequado.

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