Transformar dentadura em overdenture: quando dá certo
Resposta rápida: sim, uma dentadura existente pode ser convertida em overdenture. Depois que os implantes cicatrizam, o dentista abre espaços na resina e fixa ali as cápsulas que encaixam nos pilares. Esse procedimento se chama captura. Ele só vale a pena se a dentadura atual estiver bem adaptada, com a altura da mordida correta, dentes pouco desgastados e base sem trincas. Se a prótese tem mais de cinco a sete anos de uso ou já não assenta bem, fazer uma nova costuma dar resultado melhor e mais durável.
Como uma dentadura vira overdenture
A diferença física entre uma dentadura e uma overdenture é menor do que parece. As duas são próteses totais de resina com dentes artificiais. O que muda é que a overdenture tem, por dentro da base, pequenas cápsulas metálicas com um componente de retenção (nylon ou borracha) que se prendem aos pilares dos implantes.
Converter a prótese antiga significa instalar essas cápsulas nela. O dentista coloca os pilares nos implantes, marca na dentadura a posição exata de cada um, desgasta a resina nesses pontos e fixa as cápsulas com resina acrílica. Quando a resina endurece, a prótese passa a "clicar" nos implantes.
O conceito geral e os tipos de encaixe usados estão detalhados em como funciona a overdenture e em sistemas de encaixe.
Captura direta ou no laboratório
Existem duas formas de fazer a captura, e cada uma tem seu lugar.
Na captura direta, tudo acontece na cadeira do consultório. O paciente morde a prótese sobre os pilares enquanto a resina endurece dentro da boca. É mais rápida, geralmente feita em uma única consulta, e é a opção mais comum quando se aproveita a dentadura antiga.
Na captura indireta, o dentista faz uma moldagem com os componentes posicionados e envia ao laboratório, que instala as cápsulas com resina processada. A união fica mais resistente e com menos porosidade, e não há contato de resina ainda mole com a gengiva. Em compensação, o paciente fica algumas horas ou um dia sem a prótese.
A escolha depende da condição da dentadura, do número de implantes e da preferência do profissional. As duas funcionam bem quando executadas com cuidado. Os materiais de moldagem envolvidos estão descritos no guia de materiais e moldeiras.
Quando a dentadura atual pode ser aproveitada
Aproveitar a prótese antiga economiza tempo e dinheiro, mas só se ela estiver em boas condições. O dentista costuma avaliar cinco pontos:
Adaptação da base. A dentadura precisa assentar bem na gengiva. Se ela já balança, a overdenture vai transferir esse movimento para os implantes. Às vezes um reembasamento resolve antes da captura.
Altura da mordida. Com o desgaste dos dentes e a reabsorção do osso, a mordida vai "fechando" ao longo dos anos, o rosto fica com o terço inferior mais curto e surgem rugas nos cantos da boca. Uma dentadura com a mordida baixa demais não deveria virar overdenture sem correção.
Desgaste dos dentes artificiais. Dentes planos, sem cúspides, cortam mal o alimento. A overdenture aumenta a força de mastigação, mas não compensa dentes gastos.
Integridade da resina. Trincas, consertos antigos ou resina manchada e porosa indicam que a base está no fim da vida útil.
Espessura de resina. As cápsulas precisam de espaço. Se a base for fina demais na região dos implantes, desgastá-la para instalar os componentes pode deixá-la frágil.
Quando é melhor fazer uma prótese nova
Há situações em que insistir na prótese antiga é economia que sai cara. A mais comum é a fratura da base justamente na região das cápsulas, onde a resina foi desgastada para acomodar os componentes. Uma prótese nova pode ser planejada desde o início com espessura adequada e, se o dentista achar necessário, uma armação metálica de reforço embutida na resina.
Outras indicações para fazer uma nova: estética que já não agrada, mordida que precisa ser refeita, prótese com muitos anos de uso ou uma dentadura que nunca foi bem adaptada. Nesses casos a captura seria construir sobre uma fundação ruim.
Uma estratégia frequente combina as duas coisas. A dentadura antiga é usada como provisória durante a cicatrização dos implantes, com um alívio e um material macio na região operada, e a overdenture definitiva é feita depois, já com os implantes integrados.
O período de cicatrização dos implantes
Entre a colocação dos implantes e a captura existe, na maioria dos protocolos convencionais, um período de espera para a osseointegração. Na mandíbula ele costuma ser de alguns meses, e na maxila tende a ser mais longo. Em casos selecionados, com boa estabilidade inicial, o dentista pode optar por carga imediata ou precoce.
Durante a espera, a dentadura continua em uso, mas precisa de adaptação. A região sobre os implantes é aliviada para não pressionar a área operada, e muitas vezes recebe um reembasador macio. Isso evita que a mastigação empurre a prótese contra os implantes antes da hora.
É um período em que a paciência conta. Carregar os implantes cedo demais, fora de um protocolo planejado para isso, é uma das causas de falha na integração.
O que pesa no orçamento
Os valores variam muito entre cidades e profissionais, então não faz sentido dar números fechados aqui. Mas dá para entender o que compõe o orçamento de uma conversão:
- Implantes e cirurgia (a maior parte do custo, independentemente da prótese).
- Pilares (abutments) e cápsulas de retenção, um conjunto por implante.
- O procedimento de captura, direta ou indireta.
- Eventual reembasamento ou conserto da dentadura antes da captura.
Em uma prótese nova, somam-se as etapas de moldagem, registro da mordida, prova dos dentes e acrilização. A diferença entre converter e fazer nova costuma estar nesse bloco, não nos implantes. Por isso vale pedir ao dentista o orçamento das duas opções, separado por etapa.
Perguntas para levar à consulta
Chegar à consulta com as perguntas certas ajuda a comparar propostas e entender o plano:
- Minha dentadura atual tem condições de ser convertida? O que precisaria ser corrigido antes?
- A captura será direta ou no laboratório? Por quê?
- Qual sistema de encaixe será usado e quanto custa trocar os componentes de retenção?
- Quanto tempo vou esperar entre a cirurgia e a captura?
- Se a base quebrar na região das cápsulas, qual será o conserto?
Depois da conversão, os primeiros dias seguem a mesma lógica de qualquer overdenture nova. O roteiro está em adaptação à overdenture nos primeiros 30 dias.
Referências
- Feine JS, et al. The McGill consensus statement on overdentures. Gerodontology. 2002.
- Thomason JM, et al. The York Consensus Statement. Br Dent J. 2009.
- Tallgren A. The continuing reduction of the residual alveolar ridges in complete denture wearers: a mixed-longitudinal study covering 25 years. J Prosthet Dent. 1972.
Equipe Editorial — Overdenture.com.br
Conteúdo estruturado com base em evidências científicas — incluindo os Consensos de McGill (2002) e York (2009), estudos do International Journal of Prosthodontics e protocolos do Conselho Federal de Odontologia (CFO). Revisado por cirurgiões-dentistas parceiros antes da publicação.
Revisor responsável: Dr. Fabio Zalli — CRO-SP 98712